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Flamengo vence o Ceará e adia título brasileiro do Atlético-MG

Gabigol comemora com a torcida do Flamengo
Gabigol comemora com a torcida do Flamengo. Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Ainda não foi dessa vez que o Atlético-MG conseguiu soltar o grito de bicampeão brasileiro. Caso o Flamengo tropeçasse no Ceará, isso aconteceria. Não aconteceu. O Rubro-Negro venceu o Vozão por 2 a 1, no Maracanã, nesta terça-feira, com gols Gabigol e Matheuzinho, curou a ressaca da derrota para o Palmeiras na final da Libertadores e ainda manteve um fio de esperança no título nacional.

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O Flamengo chegou a 70 pontos na tabela do Brasileirão, oito a menos que o líder, Atlético-MG. Para ser campeão, o Mais Querido precisa vencer seus três jogos restantes e torcer para o Atlético fazer apenas um ponto nas três partidas que lhe faltam. É difícil? É, e muito. Mas no futebol já vimos o improvável acontecer mais de uma vez. Aguardemos…

E a torcida do Flamengo fez uma bonita festa no Maracanã. Foram quase 50 mil presentes, que cantaram o jogo inteiro e incentivaram o time. Andreas Pereira, que falhou feio na derrota para o Palmeiras, ao que parece, foi perdoado. O mesmo não aconteceu com o técnico Renato Gaúcho, demitido após a final da Libertadores. Ele foi bastante xingado.

Sem Renato Gaúcho, quem comandou o Flamengo foi o interino Mauricio Souza. É ele quem comandará o Flamengo nos últimos jogos do Campeonato Brasileiro.

– Na verdade sim (esperava apoio). A gente percebeu que a torcida percebeu que todos nós estávamos muito machucados com a derrota. Sabíamos que precisávamos fazer um bom jogo para termos uma resposta positiva. A Nação deu mais uma prova de amor ao clube e ao time. Fico muito feliz com o que vimos aqui no Maracanã – disse Mauricio.

Os gols do Flamengo:

O jogo

O Flamengo fez uma boa partida e poderia ter vencido com mais facilidade caso aproveitasse melhor as suas chances de gol. Logo no início da partida, Diego roubou a bola de Fabinho, do Ceará, e Gabigol tocou no canto do goleiro: 1 a 0 Flamengo.

O Rubro-Negro seguiu amassando no primeiro tempo. Gabigol chegou a colocar uma bola no travessão, de cabeça. O Ceará pouco ameaçava o goleiro Diego Alves que, vale frisar, foi substituído na primeira etapa por conta de uma lesão. Hugo Souza entrou em seu lugar.

No segundo tempo, o panorama não mudou. Só deu Flamengo. O Ceará, no entanto, passou a incomodar mais. E, em uma de suas poucas chegadas, empatou o jogo com Rick. O gol saiu aos 25 minutos.

Foi aí que brilhou a estrela do jovem lateral-direito rubro-negro Matheuzinho. Aos 33 minutos, Michael fez boa jogada pela direita e cruzou. Bruno Henrique tocou para trás e Matheuzinho soltou a bomba para marcar o segundo do Flamengo: 2 a 1 e festa da torcida.

E ficou assim. Foi um prêmio para quem buscou o gol o tempo todo, e um castigo para quem apenas se defendeu. O Ceará resolveu atacar com força apenas nos acréscimos, e deu no que deu. Vitória do Flamengo.

Abaixo, mais trechos da entrevista do técnico Mauricio Souza, do Flamengo:

Andreas Pereira“Em relação ao Andreas conversamos com ele, o deixamos à vontade. Ele fez questão de estar em campo, de jogar. Deixamos bem à vontade porque sabemos que ele foi um dos atletas que mais sentiram em função do segundo gol do Palmeiras. Mas ele mostrou personalidade e foi recompensado com bom jogo e a vitória”.

Grupo merece respeito“Eu acho que sábado também mostramos muita vontade de vencer. Eu sei que futebol não existe justiça. Mas o que aconteceu foi uma fatalidade. Vontade não é o ponto. O que aconteceu hoje foi que conseguimos fazer os gols, que sábado não conseguimos.

E conseguimos manter um nível de concentração alto. Talvez as pessoas não saibam, mas fizemos uma viagem desgastante. Não é desculpa, é a verdade, mas é um ano bem desgastante para estes atletas. Este grupo precisa ser respeitado pela força como entrou em campo hoje e por jogar o que jogou.

É um grupo muito profissional, que sabe o que tem que fazer. Imagina vir hoje ao Maracanã e não jogar nada com esse apoio, essa massa dando apoio para nós. Jogar pelo Flamengo, por si só, é uma motivação a parte. Não tem jeito. Estão motivados.

O Diego foi muito feliz antes do jogo, agradecendo a todos que se mostrou apto a estar aqui. Só não esteve aqui hoje quem não tinha condições físicas. Então, o que falar desse grupo? Acho que vamos acabar o ano muito bem”.

Time fica nervoso na hora de matar o jogo?“Eu não sei. Na verdade, nós temos o melhor ataque do Brasil. O time que mais fez gols. Criamos demais. Mas não condiciono isso a nervosismo ou preciosismo. São momentos. Às vezes, você tem chances mais claras, outras menos. Mas se formos ver os números são extraordinários na hora de empurrar a bola para dentro”.

Férias antecipadas? “Isso é uma situação que a diretoria vai decidir caso a caso. Na verdade não conversei sobre isso, eu não sei. O que me foi passado é que temos quatro jogos. Se a diretoria achar que deve antecipar férias alguém, ela vai”.

O que falou antes do jogo?“Eu falei o que eles precisavam ouvir. Mas eu acho que, independentemente do que eu falei ou o que a gente fez de preparação, este grupo mostra mais uma vez a força que tem. Repetindo: foi uma derrota traumática.

Estávamos confiantes. E três dias depois, depois de uma viagem extremamente cansativa, pegamos um adversário que ganhando hoje estaria brigando pela Libertadores, um adversário difícil.

E mostramos a força que mostramos hoje, com atletas no seu limite fisicamente falando. Isso mostra a força mental que esta equipe tem. Em relação ao Andreas conversamos com ele, o deixamos à vontade. Ele fez questão de estar em campo, de jogar.

Deixamos bem à vontade porque sabemos que ele foi um dos atletas que mais sentiram em função do segundo gol do Palmeiras. Mas ele mostrou personalidade e foi recompensado com bom jogo e a vitória”.

Matheuzinho“Eu o conheço bem. Ele é um jogador extraordinário, extremamente profissional. Evoluiu muito. Principalmente nas questões defensivas. Mas tem o Isla, que é um grande jogador e não vai deixar barato, vai lutar com ele até o final para ser titular.

Eu acho que o Flamengo está bem servido na posição. Hoje, o Isla não pôde jogar, e o Matheuzinho, mais uma vez, deu conta do recado. Os dois precisam estar de olhos bem abertos porque se um bobear o outro vira titular”.

Mudança na marcação“Tivemos muito pouco tempo para treinar. Se alguém acha que alguém viu hoje um time do Maurício e não do Renato, eu não concordo. Renato era um treinador que às vezes marcava individual e, às vezes, marcava zona.

Eu sou adepto da marcação por zona na maior parte do jogo. Não pensem que foram 20 minutos de treino que fizeram a equipe mudar. A equipe tinha um lastro. Coisas que precisam melhorar e coisas muito boas. Eu só coloquei um pouco das minhas ideias.

Porque para falar com eles eu controlo. Agora para falar das ideias de outro treinador, eu não controlo. Só por isso. Futebol existem várias formas de você chegar a uma vitória e não existe uma certa ou errada. Existe a que você controla. Tenho um vídeo para ver amanhã e várias coisas para corrigir”.

Mais sobre o discurso antes do jogo“Foi um tom motivador. Um tom em que falei para eles que eles sabem fazer dentro de campo. Não tem outra forma a não ser se entregar. Tínhamos que dar uma resposta positiva. Podíamos estar aqui com 30, 40 mil pessoas vaiando a gente.

Pelo contrário. Estavam apoiando a gente e sabíamos que isso ia acontecer. Que a maioria esmagadora ia nos apoiar. E a resposta foi a entrega. Tínhamos jogadores com cãibras, jogadores que seguraram até onde puderam.

Eu fiz apenas duas trocas técnicas ou táticas. As outras foram por lesão. E se eu tivesse hoje eu faria, porque o time foi ao seu limite. Não porque não temos bom preparo físico, ou que o trabalho não é bom. Muito pelo contrário.

Mas depois do ano que tivemos, conseguimos vir aqui enfrentar uma equipe motivada por uma vaga na Libertadores, e sair vencedor, é a prova que o trabalho está no caminho certo”.

Os resultados desta terça no Brasileirão:

Os gols:

Leo Santos
1031 artigos
Leonardo Santos é jornalista esportivo com passagens por gra ...

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