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Caso Robinho: MP de Milão envia pedido de extradição e mandado de prisão internacional para o atacante

Robinho em uma de suas passagens pelo Santos
Robinho em uma de suas passagens pelo Santos. Foto: Ivan Storti / Santos

Mais um capítulo do Caso Robinho. Nesta terça-feira (15), o Ministério Público de Milão (Itália) encaminhou ao Ministério da Justiça um pedido de extradição e um mandado de prisão internacional para o atacante. As informações foram divulgadas pelo jornal italiano “La Repubblica”, destacando que o Brasil não permite que seus cidadãos sejam extraditados, mas que o jogador pode ser preso caso decida deixar o país.  

Vale lembrar que o brasileiro foi condenado, de forma definitiva, a nove anos de prisão por ser acusado de violência sexual contra uma jovem de 23 anos. Robinho e seu amigo, Ricardo Falco, teriam cometido o crime em uma boate de Milão, em janeiro de 2013. Em janeiro deste ano, o Supremo Tribunal da Itália confirmou a decisão do Tribunal de Justiça de Milão, que havia dado o veredicto no final de 2020. 

O julgamento que determinou a condenação de Robinho aconteceu no dia 19 de janeiro, na Corte de Cassação de Roma, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil. Os advogados do jogador tentaram apresentar o último recurso, mas foi prontamente negado pela corte italiana.  

Robinho e seu amigo foram arrolados no artigo “609 bis” do código penal italiano, que trata sobre a participação de duas ou mais pessoas que se reúnem para cometer o ato de violência sexual, forçando a vítima a manter relações sexuais por causa da sua condição de inferioridade “física ou psíquica”. A vítima, que preferiu manter o anonimato no processo, revelou ter sido embriagada e abusada sexualmente por seis homens. Os advogados dos brasileiros alegam que a relação foi consensual.  

Além de ficar detido por nove anos, Robinho também terá que arcar uma indenização de 60 mil euros (cerca de R$ 372 mil na cotação atual).  

Os outros quatro amigos de Robinho, que o acompanhavam no exterior, deixaram a Itália antes da investigação ser concluída e não foram acusados. Eles foram apenas citados nos autos.  

A vítima, de origem albanesa, mas que mora na Itália há alguns anos, tinha ido à boate naquela noite com uma amiga para comemorar seu aniversário de 23 anos. A violência aconteceu dentro do camarim do local.  

Há nove anos, desde que a vítima denunciou Robinho por estupro, a Itália viveu dezenas de casos semelhantes que ganharam destaque na mídia. Alguns deles envolveram filhos de políticos. Segundo um balanço judiciário realizado, equivalente ao IBGE italiano, os acusados são majoritariamente jovens entre 20 e 25 anos. Na época, o atacante brasileiro tinha 29 anos quando foi acusado.  

Na condenação em primeira instância, Robinho jogava no Atlético-MG. O atacante tinha deixado a Itália em 2014, quando já tinha prestado depoimento no inquérito que apurava o crime. Apesar de ter negado a acusação, ele confirmou a relação sexual com a jovem, ressaltando que foi consensual e sem a participação de terceiros. Já no caso de Falco, a perícia encontrou seu sêmen nas roupas da vítima.  

No julgamento em segunda instância, realizado em dezembro de 2020, a Corte de Apelação de Milão manteve a decisão inicial de nove anos de reclusão. As três juízas que analisaram o caso foram unânimes ao destacar o “particular desprezo” do jogador com a vítima, que foi “brutalmente humilhada”.  

Depois de jogar pelo Atlético-MG, Robinho atuou em dois clubes na Turquia: Sivasspor e Istambul Basaksehir. O atacante chegou a ser apresentado pelo Santos, mas não entrou em campo porque teve seu contrato suspenso e depois encerrado devido ao imbróglio judicial.   

Leo Santos
551 artigos
Leonardo Santos é jornalista esportivo com passagens por gra ...